Brian R. Davis
Brian R. Davis - EUA

A apresentação discutirá alternativas para infraestrutura de drenagem nas cidades. A água em cidades como São Paulo é um paradoxo do excesso, com enchentes perigosas, e da escassez, no suprimento para consumo. Os projetos contemporâneos para controle de enchentes, os piscinões, são caros e, por este motivo, é importante que sejam pensados como “paisagem cívica”, que estrutura os lugares visando sua habitabilidade e enriquecendo a vida social da cidade no entorno. Novos padrões de desenho e propostas que exploram o potencial social e ecológico dos piscinões serão apresentados, de forma a oferecer um arcabouço técnico e conceitual para repensarmos nossas soluções como agentes de resiliência e cultura.

Brian Davis é paisagista, professor da Cornell University, nos Estados Unidos, e diretor do Grupo de Pesquisa Borderlands. Sua pesquisa e ensino são parte do campo emergente da morfologia fluvio-urbano, o estudo da forma e processo de rios e cidades, e da forma que eles estão relacionados. Seu estudo se concentra nos sistemas fluviais urbanos, infraestrutura da água e do espaço público.

Gert Gröening
Gert Gröening - Alemanha

Em sua apresentação – “Agricultura urbana e paisagem comestível” – Gröening tratará da influência romana na cultura dos jardins, da visão dos jardins como um mundo em miniatura e da horticultura urbana. O foco de sua palestra é a horticultura urbana exemplificada com jardins de espaços livres urbanos. Isto remete ao espaço livre, à questão das cidades jardins, ao desenho paisagístico, aos jardins comunitários e ao que vem sendo chamado de “paisagem comestível“.

Pesquisador da área de cultura e ideologia da paisagem e do jardim no mundo ocidental, sua pesquisa mais recente inclui a agricultura urbana e a paisagem comestível, autor também de um livro sobre a participação feminina na profissão da arquitetura da paisagem, é estudioso da paisagem oriental e crítico da legislação atual de proteção da paisagem.

Gert Gröening  é professor da Leibniz University de Hannover e da Universidade de Artes de Berlim (Alemanha) e é membro da International Society for Horticultural Science (ISHS).

João Ferreira Nunes
João Ferreira Nunes - Portugal

Fundador e diretor do Ateliê de Arquitetura Paisagista PROAP, onde coordena e realiza projetos em níveis de especialização em paisagem. 

Catharina Lima
Catharina Pinheiro Cordeiro dos Santos Lima

 “A construção coletiva da paisagem”

O sonho do pequeno espaço livre ou do parque urbano para a vivência, para o lazer e para a preservação de recursos naturais existentes não é exclusividade dos que têm ‘mais acesso a informação’. As pessoas anseiam pela paisagem, mesmo nas comunidades mais pobres. As necessidades e as possibilidades de qualificar a paisagem estão em todos os lugares. Catharina Lima, ao longo do seu percurso acadêmico, tem participado de projetos de construção paisagem que são também experiências participativas, dialógicas e democráticas.

Tanto no ensino, como na extensão e na pesquisa, Catharina trabalha na linha da ‘pesquisa-ação’ e na palestra falará sobre pontes que tem buscado criar entre a universidade e a sociedade, o centro e a periferia, entre os produtores do conhecimento e a realidade urbana. Arquitetos paisagistas precisam de sensibilidade e competência técnica enfrentar os desafios colocados pelos projetos contemporâneos de espaços livres público e o maior deles talvez seja trilhar por estas novas e necessárias pontes.

Catharina Lima possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1978), mestrado (1987) e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1997). É professora da FAUUSP atuando principalmente nos seguintes temas: Paisagismo, Ecologia urbana, sustentabilidade, planejamento socio-ambiental.

Eduardo Barra
Eduardo Barra

“Duas abordagens em arquitetura paisagística: urbana e ambiental”

O projeto para o Portal da Amazônia (Belém/PA) estende-se por 1.800 metros ao longo da margem do rio Guamá e está inserido em um plano maior, denominado Ver-o-Rio, que objetiva voltar a cidade para seus rios, reparando um dos mais claros equívocos da ocupação urbana contemporânea da maioria de nossas cidades. Trata-se, na verdade, de um calçadão de beira-rio que apresenta variadas soluções espaciais com o objetivo de criar ambientações diversas e assim estimular o visitante a percorrer toda a orla. Com abordagem completamente diferente, o Parque Restinga de Mambucaba (Paraty/RJ) é um pequeno ambiente (7.600m²) voltado para a educação ambiental com enfoque na vegetação de restinga. Aqui, o protagonismo fica por conta da vegetação, apresentada ao visitante de modo didático em suas conformações e associações características, buscando uma fisionomia “naturalística” para o conjunto formado por 55 espécies, entre árvores, palmeiras, arbustivas, herbáceas e forrageiras.

Eduardo Barra graduou-se em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1976). Dedica-se desde então à arquitetura paisagística, desenvolvendo projetos em escalas variadas, de parques e áreas de recuperação ambiental a intervenções urbanas, praças e residências. Foi presidente da Abap de 2005 a 2008.

Fabio Mariz Gonçalvez
Fabio Mariz Gonçalves

 "A agenda da Prefeitura de São Paulo e a reconquista dos espaços livres públicos".

​Quando a regulação do uso e ocupação do solo urbano se articula às políticas de mobilidade urbana, o espaço público passa a ser a grande referência da ação. Na Prefeitura de São Paulo, Fábio Mariz Gonçalves, trabalhando no desenvolvimento dos Planos Regionais das Subprefeituras (que têm como objetivo detalhar as diretrizes do Plano Diretor Estratégico aprovado em 2014), tem buscado integrar as ações das secretarias municipais e promover a reorganização dos espaços livres públicos.

Se as mudanças do Plano Diretor objetivam uma cidade mais democrática, inclusiva, ambientalmente responsável e ao mesmo tempo produtiva, projetos urbanos devem ser desenvolvidos, com as subprefeituras e secretarias articuladas e com o envolvimento da população. Para abrir o caminho para estes projetos urbanos, muitas relações precisaram ser construídas, desenhos precisaram ser feitos e barreiras precisaram ser transpostas. A palestra fala sobre esta transposição.

Graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (1986) e doutorado pela mesma instituição (1999), Fábio Mariz é professor da FAUUSP desde 1989. Foi sócio da Projeto Paulista de Arquitetura entre 1989 e 2003 e, desde julho de 2014 é Diretor do Departamento de Urbanismo - DEURB da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano - SMDU da Prefeitura de São Paulo. Atualmente também é Presidente da Comissão de Proteção da Paisagem Urbana - CPPU.

José Tabacow - CIAP 2016
José Tabacow

O conjunto de fortalezas da Ilha de Santa Catarina, implantado na segunda metade do século XVIII distribui estrategicamente quatro fortificações constituindo um sistema de defesa com função de proteção do território total da ilha. Tal conjunto foi, posteriormente, complementado pelo Forte Santana, sob a ponte Hercílio Luz, e a Fortaleza de Santa Bárbara, na atual área central da cidade de Florianópolis.

Por iniciativa do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional foi agenciado o tratamento paisagístico deste conjunto, saindo vencedores do processo de licitação os arquitetos paisagistas Eduardo Barra e José Tabacow.

A pequena exposição que será feita durante o Congresso será um resumo não apenas dos resultados expressos pelos projetos, mas também os processos de condução estabelecidos entre os arquitetos acima mencionados e os arquitetos designados  pelo IPHAN para instruir o desenvolvimento dos trabalhos.

José Tabacow é arquiteto paisagista, tendo iniciado suas atividades neste campo em 1965, no escritório de Burle Marx & Cia. Ltda. Formado em arquitetura pela FAU-UFRJ em 1968, tem curso de especialização em Ecologia e Recursos Naturais pela UFES, em 1991, e doutorado em Geografia pelo IGEO – UFRJ em 2002.

Luiz Vieira
Luiz Vieira

A palestra apresentará o Projeto Parque Capibaribe, que propõe soluções urbanísticas e ambientais para a capital pernambucana, a partir do seu mais importante rio, o Capibaribe, que teve seu potencial paisagístico negligenciado por décadas.

O projeto, decorrente de um convênio inédito entre a Prefeitura da Cidade do Recife, através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, e a Universidade Federal de Pernambuco, por meio do InCiti, foi iniciado em 2013 e buscou inspiração em Paris, Amsterdã, Nova York, Medellín, Seul e Madri, para a construção de lugares socialmente inclusivos, economicamente produtivos e ambientalmente sustentáveis para o Recife, assim como para a implementação de novas paisagens, lugares de permanência e circulação, com a maximização das opções intermodais de transporte e novos padrões de conexões no território.

Reunindo especialistas de diversas áreas, a iniciativa visa a integrar os espaços da cidade, promovendo mobilidade, convivência e preservação. Com 30 quilômetros de extensão, o projeto vai melhorar diretamente o dia a dia de cerca de 400 mil pessoas, em 35 bairros do Recife. Os trabalhos buscam ainda reforçar o papel de iniciativas cidadãs de menor escala para a melhoria do entorno urbano. É um projeto belíssimo que precisa ser acompanhado.

Luiz Vieira é arquiteto paisagista, graduado em Landscape Architecture – University of Georgia (1980), e arquiteto, graduado pela Universidade Federal de Pernambuco (1989). Professor no Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPE. Atuou como arquiteto paisagista no escritório Laubmann-Reed & Cie, Atlante-GA, USA (1981-82) e coordenou três projetos na equipe multidisciplinar de Roberto Burle Marx e Borsoi Arquitetos Associado (1983, 1985, 1986). A empresa Luiz Vieira Arquitetura de Paisagem desenvolve projetos para diversas áreas, como hotelaria e turismo, espaços urbanos, parques temáticos, condomínios, edifícios e residências, entre outros. É um dos coordenadores do projeto Parque Capibaribe juntamente com os professores da UFPE Dra. Circe Monteiro e Arq. Roberto Montezuma.

Paulo Pellegrino - CIAP 2016
Paulo Pellegrino

Professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo atua na área da Arquitetura da Paisagem, vice - coordenador do LABVERDE onde desenvolve linha de pesquisa que explora projetos de incorporação de funções infraestruturais às paisagens em suas várias escalas e localizações, tendo como parâmetros o desempenho, viabilidade, estética e métodos de projeto, em temas como infraestrutura verde, águas urbanas, ecologia da paisagem e resiliência urbana.

Sua apresentação explorará como projetos que tratam das infraestruturas das paisagens podem contribuir para  avançar na ampliação do campo profissional e reposicionar a arquitetura paisagista como o campo por excelência de projeto das cidades e campos.

Silvio Soares Macedo
Silvio Soares Macedo

"Os espaços livres públicos das cidades brasileiras"

A cidade brasileira contemporânea apresenta uma configuração bastante diferente daquela estudada durante o século XX, fato que se reflete na configuração de seu sistema de espaços livres. São muitas as novas formas de apropriação, com o aumento do hábito de comer ao ar livre, de andar de bicicleta, da prática do skate, do caminhar e correr nas ruas e em parques.  

O tratamento paisagístico dos espaços públicos passa por uma desaceleração, com a diminuição dos projetos de porte. E, como sempre, muitos dos projetos paisagísticos de algum porte não saem do papel. Paralelamente no âmbito privado o papel do projeto paisagístico continua expressivo, em especial nas áreas habitacional e corporativa.

O Programa Federal de Habitação Minha Casa Minha Vida urbanizou extensas áreas mas os projetos paisagísticos, apesar de necessários, foram poucas vezes produzidos e implementados. Somente recentemente, em 2015, o Ministério das Cidades iniciou a normalização da produção de espaços livres. A palestra discutirá este trabalho e fará reflexões sobre o atraso latente no tratamento e produção dos espaços livres da cidade brasileira contemporânea. A rua é o principal espaço público de nossas cidades e, nelas, o pedestre tem tido um espaço para uso restrito e tortuoso.

Silvio Soares Macedo é professor titular da FAUUSP, do Grupo de Disciplinas Paisagem e Ambiente e é coordenador da pesquisa Quapá-SEL que estuda os sistemas de espaços livres nas cidades brasileiras.